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Investindo em Ações: o que você precisa saber

Renda Variável

O mercado de ações é um dos ambientes mais fascinantes e, ao mesmo tempo, mais desafiadores do universo dos investimentos. Para muitos brasileiros, investir em ações ainda soa como algo distante, reservado apenas a especialistas de Wall Street ou a grandes fortunas. No entanto, com o avanço da tecnologia, a democratização das plataformas de investimento e o crescimento do número de investidores pessoa física na B3, essa realidade mudou significativamente nos últimos anos.

Neste artigo, vamos explorar de forma detalhada tudo o que você precisa saber para dar os primeiros passos no mercado acionário brasileiro, desde os conceitos mais fundamentais até as estratégias utilizadas por investidores experientes. Se você já leu nosso artigo sobre o que são fundos de investimento, verá que as ações representam uma classe de ativos essencial para quem busca retornos acima da média no longo prazo.

1. O que são ações

Uma ação representa a menor fração do capital social de uma empresa constituída como sociedade anônima (S.A.). Quando você compra uma ação, está adquirindo um pequeno pedaço daquela companhia, tornando-se sócio dela e passando a participar de seus resultados, tanto nos lucros quanto nos prejuízos.

As ações são divididas em dois tipos principais:

  • Ações ordinárias (ON): conferem ao acionista o direito de voto nas assembleias da empresa. São identificadas pelo número 3 no ticker (ex.: PETR3, VALE3).
  • Ações preferenciais (PN): oferecem preferência no recebimento de dividendos e no reembolso do capital em caso de liquidação da empresa. São identificadas pelo número 4 (ex.: PETR4, ITUB4).

Como uma empresa abre capital: o IPO

O processo pelo qual uma empresa passa a ter suas ações negociadas na bolsa de valores é chamado de IPO (Initial Public Offering), ou Oferta Pública Inicial. Trata-se de um marco na vida de qualquer companhia e envolve diversas etapas regulatórias e operacionais.

Para realizar um IPO no Brasil, a empresa precisa atender a uma série de requisitos estabelecidos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e pela B3. Entre os principais passos estão: a contratação de bancos coordenadores, a elaboração de um prospecto detalhado com informações financeiras e operacionais, a realização de um roadshow para apresentação a investidores institucionais e, finalmente, a definição do preço de emissão das ações.

Importante: O IPO representa apenas o mercado primário, quando as ações são emitidas pela primeira vez. Após essa etapa, as ações passam a ser negociadas no mercado secundário, ou seja, entre investidores na bolsa de valores.

2. Como funciona a bolsa de valores

No Brasil, a bolsa de valores é a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), resultado da fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip em 2017. A B3 é a principal infraestrutura do mercado financeiro brasileiro e uma das maiores bolsas de valores do mundo em termos de valor de mercado.

O funcionamento da bolsa pode ser compreendido como um grande mercado organizado onde compradores e vendedores de ações se encontram. Antigamente, as negociações aconteciam no chamado pregão viva-voz, onde operadores gritavam suas ofertas de compra e venda no recinto da bolsa. Hoje, praticamente todas as operações são realizadas eletronicamente, por meio de plataformas digitais.

Home broker e plataformas de negociação

O home broker é a ferramenta que permite ao investidor pessoa física comprar e vender ações diretamente de seu computador ou celular, por meio de uma corretora de valores. Ao abrir uma conta em uma corretora habilitada na B3, o investidor tem acesso ao home broker, onde pode visualizar cotações em tempo real, enviar ordens de compra e venda, acompanhar sua carteira e consultar o histórico de operações.

O horário regular de negociação na B3 vai das 10h00 às 17h00 (horário de Brasília), com um período de pré-abertura e after-market. As ordens de compra e venda são casadas automaticamente pelo sistema da bolsa, sempre priorizando o melhor preço disponível.

O Ibovespa

O Ibovespa é o principal índice de referência do mercado acionário brasileiro. Ele é composto pelas ações mais negociadas na B3 e funciona como um termômetro do desempenho geral da bolsa. Quando se diz que "a bolsa subiu 2%", na prática, está-se referindo à variação do Ibovespa naquele período. A carteira teórica do índice é revisada a cada quatro meses, garantindo que ele reflita sempre as empresas mais relevantes e líquidas do mercado.

3. Análise fundamentalista vs análise técnica

Existem duas grandes escolas de pensamento quando se trata de analisar ações e tomar decisões de investimento: a análise fundamentalista e a análise técnica. Embora diferentes em seus métodos, ambas possuem méritos e podem ser utilizadas de forma complementar.

Análise fundamentalista

A análise fundamentalista busca determinar o valor intrínseco de uma empresa com base em seus fundamentos econômicos e financeiros. O analista fundamentalista estuda balanços patrimoniais, demonstrações de resultado, fluxos de caixa, perspectivas do setor, qualidade da gestão, posição competitiva e cenário macroeconômico para chegar a uma conclusão sobre se a ação está cara, barata ou no preço justo.

Essa abordagem é amplamente utilizada por investidores de longo prazo e por gestores profissionais de fundos de ações. A ideia central é que, no longo prazo, o preço de uma ação tende a convergir para o seu valor intrínseco, de modo que comprar ações abaixo desse valor proporciona uma margem de segurança ao investidor.

Análise técnica

A análise técnica, por sua vez, concentra-se exclusivamente no estudo de gráficos de preços e volumes de negociação. Seus praticantes acreditam que toda a informação relevante já está refletida no preço da ação e que padrões gráficos tendem a se repetir ao longo do tempo. Utilizam indicadores como médias móveis, bandas de Bollinger, índice de força relativa (IFR) e figuras gráficas como suportes, resistências, triângulos e canais.

Essa abordagem é mais utilizada por traders, ou seja, investidores que operam no curto prazo buscando lucrar com oscilações de preço. É importante ressaltar que o day trade e o swing trade exigem dedicação integral, conhecimento aprofundado e disciplina emocional rigorosa.

Na prática: Muitos investidores experientes combinam elementos de ambas as análises. Utilizam a análise fundamentalista para selecionar as melhores empresas e a análise técnica para identificar os melhores momentos de entrada e saída.

4. Indicadores fundamentalistas essenciais

Para quem deseja investir em ações com base em fundamentos, é imprescindível conhecer os principais indicadores utilizados na avaliação de empresas. A seguir, apresentamos os mais relevantes:

P/L (Preço sobre Lucro)

O indicador P/L mostra quantos anos de lucro seriam necessários para que o investidor recuperasse o capital investido, mantendo-se o lucro atual da empresa. Um P/L de 10, por exemplo, indica que o investidor pagou 10 vezes o lucro anual por ação. Em geral, um P/L muito elevado pode indicar que a ação está cara, enquanto um P/L baixo pode sugerir uma oportunidade, mas é fundamental comparar com empresas do mesmo setor.

P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial)

O P/VP compara o preço de mercado da ação com o seu valor patrimonial por ação, ou seja, quanto a empresa vale segundo seu balanço contábil. Um P/VP menor que 1 pode indicar que a ação está sendo negociada abaixo de seu valor patrimonial, o que em teoria representaria uma "barganha". No entanto, é necessário avaliar a qualidade dos ativos da empresa e suas perspectivas futuras.

Dividend Yield (DY)

O Dividend Yield expressa a relação entre os dividendos pagos por ação nos últimos 12 meses e o preço atual da ação. Um DY de 6%, por exemplo, significa que o investidor recebeu em dividendos o equivalente a 6% do preço da ação. Esse indicador é especialmente relevante para investidores que buscam geração de renda passiva.

ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido)

O ROE mede a rentabilidade de uma empresa em relação ao seu patrimônio líquido. Em termos simples, ele mostra o quanto de lucro a empresa gera para cada real investido pelos acionistas. Empresas com ROE consistentemente elevado tendem a ser mais eficientes na alocação de capital e na geração de valor para os acionistas.

EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)

O EBITDA é um indicador operacional que mostra o potencial de geração de caixa de uma empresa, desconsiderando efeitos financeiros, tributários e contábeis não-caixa. Ele é amplamente utilizado para comparar a eficiência operacional entre empresas de um mesmo setor e para avaliar a capacidade de pagamento de dívidas.

Dica: Nenhum indicador deve ser analisado isoladamente. A avaliação de uma empresa exige uma visão holística, combinando múltiplos indicadores com a análise qualitativa do negócio, do setor e do cenário macroeconômico.

5. Riscos do mercado de ações

Investir em ações envolve riscos que precisam ser compreendidos e gerenciados de forma adequada. Diferentemente da renda fixa, onde os termos de remuneração são definidos previamente, na renda variável não há garantia de retorno. A seguir, listamos os principais riscos a que o investidor em ações está exposto:

Risco de mercado (volatilidade)

A volatilidade é a medida das oscilações de preço de uma ação ao longo do tempo. No curto prazo, os preços podem variar significativamente em função de notícias, mudanças nas expectativas econômicas, alterações na política monetária, crises internacionais e até fatores emocionais dos participantes do mercado. Essa volatilidade pode gerar perdas temporárias (ou permanentes, se o investidor vender na baixa) em qualquer carteira de ações.

Risco sistêmico

O risco sistêmico afeta todo o mercado e não pode ser eliminado pela diversificação. Crises financeiras globais, pandemias, guerras e mudanças regulatórias profundas são exemplos de eventos que impactam praticamente todas as ações simultaneamente. A crise financeira de 2008 e a pandemia de 2020 são exemplos recentes de materialização desse tipo de risco.

Risco específico da empresa

Também chamado de risco não-sistêmico, está associado a fatores particulares de uma companhia: problemas de gestão, fraudes contábeis, perda de market share, endividamento excessivo, mudanças regulatórias setoriais, entre outros. Diferentemente do risco sistêmico, o risco específico pode ser significativamente reduzido por meio da diversificação da carteira.

Risco de liquidez

Algumas ações possuem volume de negociação muito baixo, o que pode dificultar a venda no momento desejado ou obrigar o investidor a aceitar preços desfavoráveis. Por isso, é recomendável priorizar ações com boa liquidez, especialmente para investidores menos experientes.

6. Estratégias de investimento em ações

Existem diversas estratégias consagradas para investir no mercado acionário. A escolha da mais adequada depende do perfil de risco, dos objetivos financeiros e do horizonte de investimento de cada pessoa. Veja as principais:

Buy and Hold (comprar e manter)

A estratégia de buy and hold consiste em comprar ações de empresas sólidas e mantê-las na carteira por longos períodos, independentemente das oscilações de curto prazo do mercado. A premissa é que, no longo prazo, empresas de qualidade tendem a valorizar e a gerar retornos consistentes, por meio da valorização das ações e do pagamento de dividendos.

Investidores como Warren Buffett são os maiores expoentes dessa abordagem. A principal vantagem é a simplicidade e a redução de custos com corretagem e impostos, já que as operações são pouco frequentes. A principal desvantagem é a necessidade de paciência e disciplina emocional para suportar períodos de desvalorização.

Value Investing (investimento em valor)

O value investing é uma filosofia de investimento que busca identificar ações de empresas que estão sendo negociadas abaixo de seu valor intrínseco. O investidor de valor procura empresas com fundamentos sólidos, boa geração de caixa, baixo endividamento e vantagens competitivas duradouras, mas cujas ações estão temporariamente subavaliadas pelo mercado.

Essa abordagem, popularizada por Benjamin Graham e aperfeiçoada por Warren Buffett, exige paciência, disciplina e uma análise fundamentalista rigorosa. A "margem de segurança", conceito central do value investing, consiste em comprar ações com um desconto significativo em relação ao valor intrínseco estimado, oferecendo proteção contra erros de avaliação.

Estratégia de dividendos

Muitos investidores constroem carteiras focadas em empresas que distribuem dividendos de forma consistente e crescente ao longo do tempo. Setores como utilities (energia elétrica, saneamento), bancos e seguradoras costumam ser boas fontes de dividendos no mercado brasileiro.

A estratégia de dividendos é particularmente atraente para investidores que buscam geração de renda passiva e para aqueles que desejam usufruir do efeito dos juros compostos, reinvestindo os dividendos recebidos na compra de mais ações. No Brasil, os dividendos são, em regra, isentos de imposto de renda para a pessoa física, o que torna essa estratégia ainda mais eficiente do ponto de vista tributário.

7. Fundos de ações como alternativa

Para muitos investidores, investir diretamente em ações pode ser desafiador, seja pela falta de tempo para acompanhar o mercado, pela dificuldade em realizar análises aprofundadas ou pela limitação de capital para diversificar adequadamente a carteira. Nesse contexto, os fundos de investimento em ações surgem como uma alternativa extremamente interessante.

Gestão profissional

Ao investir em um fundo de ações, você delega as decisões de investimento a uma equipe de gestores e analistas profissionais que dedicam tempo integral ao estudo do mercado. Esses profissionais possuem acesso a ferramentas sofisticadas de análise, modelos proprietários de avaliação e uma rede de contatos com empresas e outros participantes do mercado que o investidor individual dificilmente teria.

A escolha de uma gestora de investimentos competente e alinhada com seus objetivos é um passo fundamental nesse processo. É essencial avaliar o histórico de desempenho, a experiência da equipe, a transparência na comunicação e o alinhamento de interesses entre gestores e cotistas.

Diversificação

Um fundo de ações permite ao investidor acessar uma carteira diversificada de ativos com um aporte mínimo relativamente baixo. Enquanto construir uma carteira individual bem diversificada poderia exigir dezenas de milhares de reais, um fundo oferece essa diversificação de forma automática, diluindo os riscos específicos de cada empresa.

Fundos multimercado: o melhor de vários mundos

Além dos fundos de ações puros, os fundos multimercado oferecem a flexibilidade de investir em diversas classes de ativos, incluindo ações, renda fixa, câmbio e derivativos. Essa versatilidade permite ao gestor adaptar a carteira a diferentes cenários econômicos, buscando retornos consistentes com menor volatilidade. Se você deseja entender melhor essa categoria, recomendamos a leitura do nosso artigo sobre como diversificar seus investimentos com fundos multimercado.

Saiba mais: Na Cartor Capital, nosso fundo Cartor Mach5 FIM combina estratégias em renda variável, renda fixa e mercados futuros, buscando retornos consistentes e adequados ao cenário macroeconômico. Já o Cartor Insignia FIF RF é voltado para investidores que buscam solidez na renda fixa com gestão ativa e profissional.

Conclusão

Investir em ações é uma das formas mais eficientes de construir patrimônio no longo prazo, mas exige conhecimento, disciplina e uma estratégia bem definida. O mercado acionário brasileiro oferece oportunidades significativas para investidores que se dedicam a estudar os fundamentos das empresas, a compreender os riscos envolvidos e a manter a disciplina emocional mesmo em períodos de turbulência.

Seja você um investidor que prefere montar sua própria carteira de ações ou alguém que busca a praticidade e a expertise de uma gestão profissional, o mais importante é dar o primeiro passo com consciência e planejamento. Lembre-se: investir não é um evento pontual, mas um processo contínuo de aprendizado e adaptação.

Na Cartor Capital, combinamos mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro com uma abordagem disciplinada e transparente de gestão. Nossos fundos são estruturados para oferecer aos nossos cotistas acesso a estratégias sofisticadas de investimento, com diversificação profissional e foco na geração de valor de longo prazo. Conheça o Cartor Mach5 FIM e o Cartor Insignia FIF RF, e descubra como podemos ajudá-lo a alcançar seus objetivos financeiros.

Paulo Henrique Torres de Carvalho

Sócio Fundador e Estrategista Macro

Formado em Administração de Empresas (UFMG). Investidor profissional em Renda variável, fixa e mercados futuros há mais de 25 anos.

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